quinta-feira, março 16, 2006

Braceletes

Quando os dias engolem as noites, as horas param, cansadas de correr, e refugiam-se debaixo da água que escorre, quente, do chuveiro.
Tiram o pó entranhado nos ponteiros dos segundos e ensaboam as porcas e os parafusos, para os dias continuarem a correr certos como um relógio suiço: sem Falhas e sem Pausas.
(apenas um Erro, aqui ou ali, mas dá-se corda e já está)
As horas embrulham-se no algodão macio e dançam ao som de saxofones e tambores, experimentam sabores e odores e sonham com dias sem Regras, antes de fazerem tiC-tAc outra vez.
Mas quando as noites engolem os dias e os ponteiros deixam de gemer, pode-se fumar e beber, acelerar sem ninguém ver, gastar dinheiro à toa e rir, sobre tudo e sobre nada.
Porque mesmo os relógios suiços gostam de sentir no corpo o Prazer de trocar de bracelete.

3 Comments:

Anonymous impressaodigital said...

nem mais...até porque as braceletes ficam gastas.

11:56 da tarde  
Blogger eva jasmim said...

Lindo!

6:05 da tarde  
Anonymous caldeireiro said...

Sim, já vai havendo, um sorriso aqui, outro ali, embora discreto. Geneve de á dois anos H. Verdade, as maravilhas civilizacionais, ainda, não tem a cor latina, nem nunca irá ter, eles esperam por Agosto e fazem bem. Eu só via estrada sem biata e sex shop, alemã, disfarçada, com a beleza, das avenidas dos tic tac.

Batista-Bastos: "Escrever sem paixão é um acto imoral". ( nem tudo o que o homen diz é mau.)

2:12 da tarde  

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