domingo, fevereiro 19, 2006

(apenas um) objecto

Aqui em cima anda tudo numa grande confusão. Acontece de vez em quando, infelizmente mais vezes e durante mais tempo do que gostaria. As razões, essas, são as mesmas de sempre: o toque e o carinho de uma mulher, ter um espaço e organização próprias, sentir-me adulto e autónomo. Sim, tudo se resume a (tentar) ser feliz. O problema é que não estou a conseguir.
A questão da casa será talvez a mais fácil, simplesmente porque se resume a um objecto. Basta ter dinheiro e querer gastá-lo. A compra, por outro lado, continua a ser só uma miragem no horizonte. Um horizonte dividido por um rio, que salpica de amigos as duas margens mas favorece com a sua corrente uma delas, onde se empilham as coisas (sempre as coisas), as rotinas e a vida do dia-a-dia de que não posso fugir. A escolha da margem já está feita, portanto. Agora só falta agir e deixar de pensar - e se, mas tenho que, não sei se... Afinal é tudo uma questão de gerir as dúvidas e as certezas, e não deixar as primeiras sufocarem sempre as últimas. Porque não consigo, não quero, não posso passar os dias e as tardes e as noites de mais um mês a vaguear por um espaço que (não) é meu, refugiado e fechado entre quatro paredes gulosas que me vão saboreando lentamente e deixando cada vez mais seco, ensonso e vazio.
Acção vs. reacção. No amor reage-se e age-se: reage-se quando outro olhar nos prende o nosso com correntes invisíveis e nos obriga a seguir aquele corpo em especial no meio da multidão; age-se quando se compram girassóis num jardim ambulante com vista para o rio; reage-se outra vez quando as mãos e a boca e o estômago e as palavras e as lágrimas são solidárias com o olhar (o meu? o teu?) e te seguem para onde quer que vás, te puxam para não desapareceres na confusão, te lavam do pensamento quando não estás e te segredam coisas bonitas sem falar. Reage-se agindo, e age-se como reacção. O que estaria muito bem, não fosse o facto das reacções poucas vezes serem racionais e das acções muitas vezes também o não serem. Por muito que nos tentemos convencer do contrário.
(e continua a ser difícil esquecer-me do toque da tua pele)
Mas o melhor é concentrar-me numa coisa de cada vez, pelo que vou focar-me apenas na casa, para já - afinal, é apenas um objecto. E posso sempre enchê-la de fotografias tuas.

5 Comments:

Blogger ida said...

Olá Tiaguito!!!!

Fico contente por teres voltado a escrever neste teu espaço de caos tão harmonioso!!!!
Comentando o teu post: pois espero que consigas a tua casita catita, de preferência com vista para o nosso belo rio Tejo, com um fantástico suporte para Cd's que marcará a decoração da tua casa!!! ihihihih
De resto, espero que em vez de fotos, tenhas mesmo o toque daquela pele!!
Isto tudo porque tu mereces ser feliz e certamente que o irás ser!!!!
Beijocas da amiga Ida!!!

P.S.: E se não vieres buscar o suporte de Cd's catita, fico com ele!!!!! ahahahahaahah

9:27 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

yellow! entao já tens casa e nao dizias nada?

Manda noticias!
Acho que sabes quem sou!;))

Bueno, xico, me voy!!

2:27 da tarde  
Anonymous caldeireiro said...

Se quisermos colocar com perfeição, um quadro numa parede vazia, precisamos sempre de alguém, que com o seu olhar atento, nos ajude a encontrar o ângulo certo.

8:50 da manhã  
Blogger eva jasmim said...

Adorei este desabafo!
soltas-te as amarras e foste sincero, verdadeiro e tão profundo...
Excelente descrição do que é o amor, do que é amar o outro...
Desejo tanto que te encontres bem!
Beijinho da amiga andrea!

5:57 da tarde  
Anonymous caldereiro said...

Ou andrea! Eu sempre gostei de Andreias!

4:36 da manhã  

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