terça-feira, outubro 10, 2006

Um Fio (Quase) Invisível


Mais uma viagem para a outra (esta) margem, mais um dia sem te ver. Entro no cavalo metálico que faz a carreira até ao meu castelo (parece-me que já de olhos fechados) e imagino o dia em que estarás nesta (outra) margem à minha espera, no alto da nossa torre, a acenar-me, sorridente, com o cabelo ao vento.
Pego na sacola e reparo no fio negro que me acaricia o pulso - um fio (quase) invisível, moldado por dedos pequeninos, guiados por olhos grandes e um coração imenso. Escolheste-o com cuidado, por entre uma floresta impenetrável de cabelos com reflexos cor de noite, e com a graciosidade das princesas dos contos de fadas, pegaste-me na mão e ofereceste-me parte de ti. Com dedos pequeninos e um coração imenso, sorriste com os teus olhos grandes e disseste "Já está!".
E assim, apesar de (ainda) não termos uma torre só para nós, durmo todas as noites feliz no meu castelo, contigo enroscadinha no meu corpo...

9 Comments:

Blogger eva jasmim said...

Amar é sentir a pele leve
Corpo que dança de braços abertos
Boca que sorri sem dizer
Olhar que se cruza em fusão perfeita
Amar...
Gosto de amar

Saudades amigo lindo!
Assaltaram-me o tlm e n tenho o teu contacto, mal possa envia-me msg!
Estou em lisboa desde amanhã (dia 22 nov. até dia 26), dá noticias!

5:03 da tarde  
Blogger impressaodigital said...

mas quem bem...
meu caro, isto da paixão, do amor, o que for, tudo aquilo que te faz pulsar o coração, fa-lo de forma bonita, conduz a palavras assim... :)

5:47 da tarde  
Blogger linfoma_a-escrota said...

Nada está viciado, sei que lá estive
e vi-te olhar para mim como lírio vivo
a desabrochar no sol madrugador da Primavera,
não dormimos nesse dia,
fomos colher morangos à beira do riacho
encontrado por acaso no topo
duma montanha amarela, empinada
para este sonho vertiginoso e celestial
que quando acontece é como se
não existissem catedrais nem orgãos suficientes
para comporem a sinfonia de silêncio
que nos uniu, nesse dia
fizemos amor, rebolando consoante as
sombras das árvores e enquanto o
tempo passava com víboras intensas
a bailar um transe de separação,
nunca, jamais, fomos inundados
de ramagens e tendões tão divinos, a sílaba
foi esta, natureza pura, obstinada
em catacumbas herméticamente fechadas
por revelar, na combustão das candeias,
à lareira, nesga com cheiro sincero a incenso,
peles nuas a tocar o mármore frio,
a doce aragem de sépia a escaldar,
a poesia que me deste soou a renascer
e compreender que engoli centígradas
despovoadas de neurose, sopraste-me
para acalmar o suor da face de pinguin
endoidecido de surpresa coincidência, fomos
massajados pelo afecto comum,
plumas, rebentação e espanto emergiram
juntos no momento em que algo
no coração possibilita união, solenes
bolbos de jacintos plantados no desejo
da tua primeira silhueta me ter atingido
no centro harmónico deste ritmo absurdo,
salvaste-me, vilipendiarei mosteiros,
despejarei bancos, resgatarei gargantas
para nos libertar do nevoeiro soturno que
tenta apoderar-se tal qual parasita tagarela
a pregar que tudo já foi dito, não
desistas rutilante musa das costuras incríveis,
somos únicos, só nós sabemos,
nunca nos perderemos aconteça o que acontecer,
aproveitando cada percurso desertificado
emergiremos do cal como esculturas de esforço,
girassóis de sins banhando-se em fontes
de ventos e argila fervorosa, a tudo imunes,
nada desperdiçando, sempre que estamos juntos
todos são enterrados na vitória abençoada
que iluminou a decisão de devolver
sementes à realeza, tanto revólver de iminência
suspirou e afastou-se sem chama, padrão
usado num instante, nada disso, ao contrário,
nunca te esqueças que cada engano
emana bobines de ultrajes prescritos,
paixão desencandeia pavores lancinantes
como chuveiro fresco num dia de Verão,
deita fumo à ferida que doeu e tanto esperou,
lavaste-me da depressão que acolhe
e castra possibilidades tão diversas de
te fazer sorrir, cambaleares a abraçares-me,
fico abismado perante o privilégio, Blackjack
deu a conhecer a reacção, algo se completou
no sobressalto d’adrenalina cultivado
nesta praia restricta de dunas movediças
e ondulantes que nos embalaram possúidos
por berços insanos de curiosidade encarnada,
choraremos delírios impressionantes e
valerá a pena guardá-lo porque tudo passa,
nunca basta, nunca é demais que transborde,
só ciúme despejado e ressentimentos não ditos
podem abafar a indescrítivel alienação aurática
que nos protege contra todas as balas,
em braçadas, perseguindo a alegria contagiosa,
é campo aberto com malmequeres
entreabrindo-se, vendo respirar o divertimento
deitado a meu lado nesta cama acolchoada,
por entre pétalas rasteiras vivo em fotosíntese
defronte a tal céu de nuvens reais, sem fome
nem dores, assoei-me cordialmente a teu cabelo
e ninguém se ofendeu, evaporou-se e
perdoaste-me, já sabes do descontrolo e estás à espera
de veres agir assim quem te estimula, a cada dia
que relembro onde começou, apodera-se
nativo novo alento para sempre que nos vemos
lá permanecermos, doidos e encandeados
por feixes granulados de cores e formas oníricas
a quem damos vida, nomes, contos, histórias dum
oráculo recente, inventamos vestuários e
fruta sem pesticida, sabe bem não te abandonar,
venham provocar-me lavrando flancos faiscantes
que aguardo aqui, a fumar meu cigarro,
já tocado pelas cervejas, a relembrar a leveza
cujo Olimpo feriu atingido, pode ser banalizada
mas seria mentira suicida, estou embrulhado
só para me partilhar contigo, sucesso invocado
num oásis que bruxuleou sem raciocinar,
tinha que ser, não seria solução patinar
para longe por precaução de compromisso,
parecidos como bolas de sabão a esvoando,
és cebola sublime que descascarei lentamente
como escaldante tulipa de lábios estrelados,
tão atraente tua cara vista bem de perto,
sem precauções, consentimento súbito só
com a intenção de dar esta carícia imaculada
arrastando meu mindinho molhado,
tenramente, ao longo de tua fina espinal medula,
até me arrepio, sempre que te toco sei
que seria maneta se te perdesse de repente,
comeria chagas e queria ser atropelado por locomotivas,
um beicinho nítido a escarnecer a vulgaridade
que assimilaste de mim, mesmo assim
te diria que és tão especial cuja essência que ressoa
na tua ausência lacrimeja, avassala de súbito
tudo o que fui, devastando qualquer distracção
espero-te pacientemente, não te vejo à dias
perdido em ninharias incomparáveis a Ti,
apoteose narcótica e incurável sem tua alma,
preciso de oferecer a prenda mais escabrosa que
tente alcançar o sufocante idílico da tua presença
permanente, empunharei teus dentes luzídios
como memória de cada molécula de meu corpo
que desprezo perante a possibilidade de tal empatia,
vamo-nos renegar a reinvindicar o
sortilégio predilecto que nos assolou duma acentada,
trunfos carecas na mesa, nada evitarei dispensar e
encorajar nesta ode de tortura enseada, emerjo novo,
necessito que encurrales esterco em bençãos e
nossa aproximação porca será um pôr-do-sol com
pequenos flocos de neve onde tombarei inteiro
por entre a vacuidade dos livros inscritos,
estou perdido, saudades são a raíz da gravidade
diletante desta situação suspensa em
canteiro plantado por seio de entranhas grotescas,
tais simbioses vão sucedendo vazias,
peças perdidas dum futuro desconhecido e,
nas profundezas da consciência
adormeço contigo a abanar a cauda escamada,
afastando restos de tradição para atracar
na raridade das pérolas da Tua perfeição,
abre os braços e vamos viver como se nada existisse,
sou mero camarão e teus cantos suaves
emaranham minha carapaça em novidades tão cáusticas
que desfaleço mais e mais e mais e mais,
minha medusa das ninfas de todos os elementos
esquece o sono e que nada nunca mais tenha fim...

joão meirinhos 2004 in trepidação/trepanação (ou a ausência de evolução)

9:29 da tarde  
Anonymous Luís said...

È mesmo só um beijinho, pra um dos meus dois putos. Mai nada. Não são muitos os Tios, com este stress, de orgulho todo.

9:01 da manhã  
Anonymous pratitmem(a) said...

Tipo: ainda respiramos bom tempo, aguardo esse convite, sem pai, sem mãe! Aquele em que esqueces aqueles toques, tipo calduço, onde vamos jantar, todos, quer queiras quer não estou aouvir rfm ,may name islucas!!1

6:59 da manhã  
Anonymous pratitamem said...

O Amor, mata tudo, quando é grande, não há erva daninha que sobreviva. Mesmo quando as ervas daninhas já eram maiores que nos outros, Vais ver uma luz que ainda é nevoa, não sabes qual a razão, mas vais, tens 39 anos e o poder todo na tua mão... fazes o golpe mais improvavel da tua vida, queres manter esse estatuto de impremiavel, tipo eu não brinco com os meus status, eu até gozo com uma candidatura a Timor, ao outro lado do mundo! MUNDO não É? Tem cuidado com o que desejas, sempre ouvi dizer! Amar é simples, pensava eu. Tantas paixões, tantas vezes, chorei, tantas as vezes que me cresceu a imortalidade! Mas na verdade o outro lado do nosso mundo é diferente, quando chegas, vais com o coração bem apertadinho! mas de pressa ele se abre em timor! O primeiro mês na montanha foi fundamental. Tantas gentes, quase todos de Africa tantos Amigos... Ou apenas alguns. Um mês depois, Dili O maraviloso mundo, dois meses depois o meu amor, lá escondidinha em mais uma missão, entre as suas bonecas o principe desencatado e a walter 9 mm. Sou na verdade um Sortudo. Na verdade, passo a figura com estilo, deixo a redudancia, faço o que aprendi durante a minha vida, não deixo o assunto entre dois mundos como sempre fiz e ganhei coragem e apaixonei-me!

7:56 da manhã  
Anonymous pratitamem said...

Tudo bem com os Bits que guardam este querido blog! Espero que os Gigas não vos tenham subido à cabeça, mas sinto que não, sinto que estais iguais parece que os anos não passam, por aqui!
Pois eu sinto-me bem mais velho. Aguardo o tempo da reforma, daqui a 15 anos, (que já não vai existir) mas aguardo, pela versão original do pátio das cantigas em HD e por tudo o que de novo virá... não sofro de assombros de ervas daninhas, mas ainda aguardo a minha casinha, pra mim e o meu amor de sempre, onde possa ter os meus tomatinhos e pimentos que tanto gosto. Aguardo nesse sol de Lisboa, que tanto mal me faz à alma, pelo paraíso na terra, que só não alcança quem não sonha! Vem este post a propósito da minha felicidade, por sentir isso na tua vida, meu querido Sobrinho! Meu sangue quente, que cada um aquece como o sente! e eu como sabes sempre o senti a correr fervendo, como o meu!

3:18 da manhã  
Anonymous pratitamem said...

Mudei de ideias! mudei de opinião! Se existe coisa que me agrade, desdizer-me será certamente uma delas! Na verdade nunca achei piada ao facto de se fazer uma nova versão do pátio das cantigas! não vi a nova versão, nem vou ver! vi a original faz pouco tempo, pela décima vez e surge sempre como novidade. É isso que as obras primas tem de único, esse facto de ainda serem nossos parentes! bem me parecia que iam gostar desta! na verdade vi as outras versões dos nossos clássicos e acho que aquela senhora Espanhola, recentemente famosa restauradora de clássicos, não faria pior... Descansa-me o facto de poder mudar de opinião... Quer isto dizer, nada tenho contra os "remakes" pelo contrário, mudar de opinião pode ser ainda melhor que o remake do Titanic, or same...Mas então, não se pode ficar à espera! temos que pressionar o argumentista, por todas as formas possíveis, todas, para que apresse rapidamente, essa nova e esperançosa realização...

3:21 da manhã  
Anonymous pratitamem said...

Revi agora com mais cuidado, o meu penúltimo post! E fiquei triste e contente ao mesmo tempo! Na verdade não queria ver uma nova versão do pátio das cantigas, antes, queria era uma versão em HD do original! lá está, parece diferente mas não é! mudei de opinião na mesma! já não quero a versão a preto e branco, quero uma a cores em alta resolução.. Mas não mudei de opinião, ainda quero a versão original. Não sei?.. Acho que vou mudar de filme...

3:39 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home